O PREÇO DA LIBERDADE EM DÓLARES

Parece até uma daquelas adivinhações populares. O que é, o que é: custa caro para entrar, mas custa ainda mais caro para sair? Acertou quem respondeu casamento de celebridades. Se as notícias sobre os custos dos suntuosos casórios dos astros de Hollywood causam espanto, informações sobre as astronômicas quantias desembolsadas quando essas uniões chegam ao fim surpreendem ainda mais. Basta ver o furor provocado pela lista compilada pela revista Forbes, que colocou sua equipe à cata de informações confiáveis sobre os acordos financeiros dos astros divorciados. O resultado é uma milionária relação dos divórcios mais caros do mundo do entretenimento nos últimos 25 anos.

            Curiosamente o atual campeão da lista nem pertence exatamente ao showbiz, mas já é apontado como o ocupante do primeiríssimo lugar. Trata-se do ex-campeão de basquete, Michael Jordan. O astro foi casado durante 18 anos. Como a maior parte de sua fortuna foi amealhada durante esse período, a ex-mulher embolsou nada menos do que US$ 168 milhões com seu divórcio. Cabe lembrar que o mesmo poderia ocorrer se o divórcio acontecesse no Brasil – exceto, é claro, se o casamento tivesse sido realizado sob o regime da separação total de bens.

            Nos Estados Unidos, porém, até os pactos antenupciais podem ser revistos por esposas que dispõem de bons argumentos e advogados melhores ainda. É o caso de Amy Irving, que foi casada com Steven Spielberg – o terceiro colocado na lista da Forbes. O cineasta e sua ex-esposa haviam firmado um pacto antenupcial. Na hora do divórcio, porém, Amy alegou que as bases do acordo tinham sido esboçadas “num guardanapo de papel”, sem que ela dispusesse de aconselhamento legal adequado. O argumento colou e Amy levou US$ 100 milhões. Será que um argumento desses “pegaria” no Brasil? É difícil prever, pois supõe-se que os noivos estejam plenamente conscientes e esclarecidos na hora de firmarem seu pacto antenupcial. Daí a importância de um tema que sempre faço questão de ressaltar: antes de se casar, informe-se sobre todos os aspectos legais que envolvem o casamento. O conselho pode parecer pouco romântico, mas evita uma série de dores de cabeça no futuro.

             Outro argumento que colou foi o de Mick Jagger, ocupante da décima posição da lista. Ao separar-se da ex-modelo texana Jerry Hall, com quem teve quatro filhos, Jagger alegou que eles não eram realmente casados, já que sua união havia sido celebrada em uma cerimônia religiosa ocorrida em Bali. Funcionou. O cantor acabou pagando à sua ex, algo entre US$ 15 milhões e US$ 25 milhões – apenas uma fração de sua fortuna. No Brasil eles também não seriam considerados marido e mulher, pois a cerimônia religiosa, por si só, não tem valor legal. Aqui, porém, o relacionamento dos dois seria considerado uma união estável, o que daria a Jerry o direito de receber metade do que Jagger ganhou na constância da união. Levando-se em conta o tempo em que eles permaneceram juntos, isso poderia render à ex-modelo bem mais do que ela recebeu. Sorte de Jagger, que não se separou no Brasil.

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